[estudio-cinco/blog]

September 18, 2008

David Carson e o Dada

Filed under: design, design gráfico, tipografia — Tags: , , , , — admin @ 10:12 am

David Carson tornou-se um ícone do design. Conseguiu através da revista Raygun chamar a atenção para si, de forma a ser considerado hoje o pai da linguagem visual dita pós-moderna. Controversas à parte sobre o tema da pós-modernidade, Carson por via de seu trabalho conseguiu influenciar fortemente a geração presente, pós-anos 90.

Não formado em design, Carson era sociólogo e surfista quando num contato de duas semanas com o design gráfico resolveu aderir a ele. No seu repertório está um uso variado e criativo da tipografia, muitas vezes com tipos fantasia, além de recursos gráficos classificados como “sujos”, “rebeldes”, “transgressores”, etc. Talvez um dia o fossem, hoje não mais. Um fato é a ausência de preocupações além das formais. A comunicação se faz, como sempre acontece, já que sempre algo é comunicado (embora não necessariamente o que se deseja).

Essa linguagem de Carson, no entanto, remete a um universo do design moderno pós-I Guerra, que é o design gráfico ligado ao Dadaismo, mais especificamente com Merz. Artista plástico, é considerado um dos pais da Instalação com sua Merzbaus, fez parte do grupo Dadaísta e se destacou dentre seus membros. Foi responsável por diversos impressos do grupo, todos com uma linguagem sempre próxima à proposta de questionamento do grupo. Influenciados pelo uso tipográfico livre de alguns artistas gráficos construtivistas Russos, inovaram ao utiliar mais de uma face tipográfica para as obras, de forma a criar uma textura visual interessante e coesa com a proposta intelectual do grupo, que era a desesperança na promessa salvadora da tecnologia, racionalismo e idealismos que se propunham nos tempos precedentes, e que cairam por terra com a primeira grande guerra. São dessa forma considerados uma vanguarda Negativas, opondo-se às chamadas Positivas, que englobavam as linhas racionais que a arte, design e arquitetura estavam tomando com a revolução russa, o cubismo (que trouxe como contribuição a eles a técnica de colagem) e o concretismo em geral. O cartaz ao lado foi para uma reunião Dada que aconteceria, e foi feito em litografia por Merz e, interessante, por Doesburg, um dos pais do Neoplasticismo bem como da arte e design concretos.

Nas decadas de 50 e 60 foi um estilo que permaneceu estagnado, pois quem dominava era o funcionalismo, quer americano que alemão, mas acabou retomado na década de 70, quando a arte conceitual começava a tomar parte no cenário artístico, assim como um boom de grupos ideológicos que no design estavam reagindo ao funcionalismo como unica saída de projeto.

Carson, na década de 90, quando estoura, acaba possuindo um trabalho que remete diretamete a essa pleide de projetos gráficos, e não se pode afirmar que seja por acaso. Ele enquanto Sociólogo certamente teve contato com essa filosofia niilista Dada e todo momento relativista que estava começando a nascer nas décadas de 70/80, o que acabou influenciando-o na sua abordagem gráfica. Em entrevista afirmou certa vez sobre seu trabalho: “I never learned all the rules, all the things you’re not supposed to do (…). So I don’t believe the attitude, ‘learn the rules to know how to break them.’ “. Claramente, há uma atitude de desdém para com o que se vinha fazendo anteriormente, e soa certo oportunismo sua participação e sucesso no design gráfico. Suas soluções gráficas são via tentativa-erro, e, numa concepção de design enquanto projeto, acabam deixando a desejar, assemelhando-se mais a um trabalho ilustrativo autoral que a um projeto efetivamente de design.  Além disso, essa linha de trabalho que desenvolve, além de soar repetitiva dentro de si mesma, é gratuita. Enquanto no design Dadaísta havia o porquê de sua solução gráfica, Carson desconhecia qualquer motivo gráfico efetivo para poder questioná-lo. Essa sua frase de que “I don’t believe the attitude, ‘learn the rules to know how to break them.’ ” mostra-se simplesmente simplória e desconcertantemente vaidosa para alguém que visaria comunicar informação pela via gráfica. Há designers que por conhecerem essas ditas regras, e conhecê-las de maneira aprofundada, conseguiram desenvolver um trabalho muito mais coeso e conceituado que o simples grafismo formalista que Carson faz. Um deles pode ser o designer brasileiro Vicente Gil, que também com uma abordagem voltada à tipografia, conseguiu de modo muito eficiente utilizar princípios ditos modernistas em uma linguagem clara e pós-moderna. Mesmo Saul Bass inovou nessa maneira de projeto. Enfim, o trabalho de Carson, embora visualmente interessante enquanto experimentação gráfica, deixa a desejar no seu conteúdo e motivo formal, característicos da pseudo-pós-modernidade.

[eduardo camillo]

September 16, 2008

6 posts sobre logos

Mais uma pequena lista, dessa vez com 6 posts muito interessantes sobre logotipos e identidades corporativas…

Logo Design Love: When logos look alike
Quando a originalidade e a criatividade não são o forte do designer. Claro que pode acontecer com qualquer um, mas as coincidências são muito grandes.

 

Logo design Love: 10 Successful logo redesign
Também do blog anterior, casos de sucesso de redesenhos de logotipos. Alguns nem tão bons assim, convenhamos…

 

Logo Louge: 2008 Trends
Tendências na identidade visual. Uma boa coletânea de estilos que estão correndo por aí. Serve para uma referência do que está sendo feito, assim como o próprio site. Ótimo conteúdo.

 

Button CRS: bank logos
Apenas logotipos de bancos. Ainda sim, a variedade é interessante.

 

 

You the Design: Seven Splendid Logo Designs
Sete logos de sucesso. Também um tanto quanto duvidosos alguns. Mas serve para conhecer mais uma tendência de logos, que são os chamados “web 2.0″, que são aqueles cheios de gloss… Que por acaso nada tem a ver com a web 2.0

 

Logos na web 2.0
Falando em web 2.0, uma boa tirada com o que seriam esses “glosses” de que falei anteriormente… Deplorável!

 

[eduardo camillo]

September 13, 2008

Design NeoConcreto

Filed under: design, design gráfico — Tags: — admin @ 12:08 am

Um dos mais conhecidos e característicos estilos no design gráfico é a estética Concreta. Também conhecido como Design Suiço, foi muito presente durante as décadas de 50 e 70, profundamente ligados com o Funcionalismo Alemão de Ulm, de Max Bill. O estilo propunha uma completa separação entre design e arte, como se começou a pensar na Bauhaus. 

Com um grid extremamente rígido e fontes sem serifa, cores contrastantes, clareza comunicacional, uma leitura tanto à distância quanto próxima, se distingue facilmente de estilos mais ecléticos do mundo dos impressos. E é justamente isso que impressiona de certo modo, haja visto que tão poucos elementos compositivos, quase ausência completa de ornamentos, apenas conteúdo e formas geométricas conseguem mostrar-se tanto sobre outros trabalhos.

São muitos os designers conhecidos desse estilo, como: Otl Aicher, Max Bill and Josef Muller-Brochmann, entre outros.

Mesmo que muito característico de seu período, o estilo permanece ainda muito presente. Hoje ainda se encontra uma vasta produção no design concreto, mas com certa mudança. E é sobre isso o título do post, uma nova tendência concreta.

O Neoconcretismo se inspira fortemente no movimento original, na dureza formal, forte tipografia e cores, que são normalmente puras e sem degradês, mas há algumas características que a diferem do original. Uma se refere ao uso da tipografia: embora bastante contrastantes e fixas no grid, há grande liberdade compositiva quanto ao tipo e suas coress. No exemplo ao abaixo, além da informação sobreposta a outra (o que seria impensável no universo concretotradicional), as barras no texto possuem outra função que não apenas textual, o que auxilia na legibilidade primeira e à distância, para depois uma segunda olhada: primeiro o texto em preto, depois em bege.

Em outros trabalhos encontramos diferentes tipos que não são usuais no concretismo (como a Helvética), e muitas vezes os recursos gráficos são menos lineares, mas também não batem com o concretismo em si. 

Em outro exemplo, encontramos o clássico contraste branco/cinza, mas a tipografia é serifada. A composiçao é bem desenhada, jogando com regulares e itálicos, assim como uma leve alteração de tonalidades entre palavras e números.

Talvez o nome não pegue, mas o NeoConcreto é uma nova tendência, inegavelmente, e o mais interessante é que trata-se de uma nova leitura do funcionalismo tradicional, mas sem cair num styling vazio. 

[eduardo camillo]

September 9, 2008

5 Blogs sobre Tipografia

Filed under: design, design gráfico, tipografia — Tags: , , — admin @ 4:18 pm

Uma pequena lista com 5 bons blogs de tipografia:

I Love Typography: blog em inglês, atualizado semanalmente, com imagens de tipos, aplicações, inspirações, novidades, downloads, etc.

The Font Feed: também em inglês, é o blog sobre tipografia do site fontshop. Apresenta as novidades do site, últimas fontes disponíveis, eventos, etc.

OpenType: contém diversos assuntos relacionados a tipografia. Num dos últimos posts, piadas tipograficas.

Exljbris: blog sobre desenvolvimento tipográfico, free fonts…

Swiss Legacy: blog sobre design gráfico e tipografia, no melhor do estilo suiço, com novidades e constantemente atualizado.

[eduardo camillo]

September 2, 2008

John Cage e Duct Tape Ducks

Filed under: arte contemporânea, design — admin @ 6:28 pm

“Deve-se ser desinteressado, aceitar que um som é um som e um homem é um homem, abandonar ilusões sobre idéias de ordem, expressões de sentimentos, e todo o resto de conversa fiada de nossa herança estética”

“O mais alto dos ideais é não ter ideal algum. Isso nos põem em consonância com a natureza quanto à sua maneira de funcionar”.

“Todo mundo está no melhor lugar”

“Tudo o que fazemos é música”

“Tudo é teatro todo o tempo, onde quer que esteja. E a arte apenas facilita a compreensão de que é isso que acontece”.

citação extraída do texto “o meio são as massagens” de Marshall Mcluhan.

sobre a imagem: duct tape ducks por Holly Wales

[thomas yuba]

Powered by WordPress