Identidade Visual - A banda e a corporação
Em uma sociedade pós-industrial pode-se entender uma banda musical como um micro-universo. Assim como uma corporação um grupo musical pode possuir uma identidade visual. Certamente o primeiro cartaz que anunciou um concerto possuía um vínculo com o conteúdo musical que seria executado, essas características podem ser observadas nas aberturas das peças orquestradas que, através ou de uma determinada tipografia ou de uma ilustração apresentavam o primeiro contato subjetivo com as músicas.
A partir do momento em que começou-se a produção de discos as embalagens que os suportavam passaram cada vez mais atribuir vínculos com a música: imagens, tipografia, ilustração; tudo em função das idéias contidas nas melodias. Essas idéias não se restringem às letras, elas englobam também características subjetivas, específicas do sentido auditivo. Citando Mcluhan “não possuímos pálpebras auditivas”, em outras palavras a audição não pressupõe ordenação para a apreensão, trata-se portanto de um sentido
menos dependente interpretação racional. Na década de 1960 a indústria fonográfica expandiu
e os encartes de LP`s ficaram a cargo grandes estúdios de design como o Push Pin Studio. As características específicas da música contribuíram para que esses estúdios expressassem mensagens desligadas da tradição funcionalista, um exemplo marcante é a capa de Milton Glaser para o álbum de Bob Dylan, feita a partir de uma releitura de um auto-retrato de Duchamp. A imagem deste álbum é um ícone da contracultura em ascensão, e de certa forma sintetiza as transformações sociais de uma geração.
Seguindo essa lógica a concepção gráfica de um álbum se aproxima cada vez mais com as propostas das identidades corporativas. Não no sentido de traduzir um conceito objetivo, como uma missão; mas entendendo que o conjunto de encarte+CD cada vez mais têm moldadado e tornado vivo o senso de afinidade entre o autor e o consumidor que, em conjunto com a música, traduz um conceito que envolve o álbum. O encarte do disco “The Fragile” da banda Nine Inch Nails é um exemplo desta tendência. O logo da banda foi desenhado por um dos membros do NIN, Trent Reznor, em conjunto com o diretor de arte Gary Talpes. Trata-se de uma releitura da tipologia do disco dos Talking Heads “Remain the Ligths” esta desenhada pelo ex-editor da Colors, Tibor Kalman. Nela o N, de Nine, se reflete com N, de Nails; formando uma marca tipográfica pregnante e sintética. Nesta concepção para o disco fragile,
elaborada por David Carson, unclui na montagem um logo transgredido sob um preceito tipográfico funcionalista: A leitura de um texto ocorre se a parte superior desta estiver visível. Ao contrário da maioria dos projetos de Carson esta peça contém apenas duas imagens. O que faz destacar esta composição é a sobreposição em si, e não o conjunto de um aglomerado de imagens. Ainda assim o mérito de Carson está na transgressão (sobreposição sob o logo) e não na
criação (desenho do logo). O trabalho de Carson, como em todos os seus outros, é de ilustração, não de design. Assim, Trent Reznor, vocalista do NIN, é muito mais designer do que David Carson.
[thomas]