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February 18, 2009

Design Minimalista

Esse post se baseia no trabalho Minimalismo e Design Minimalista. Aqui link para PDF do trabalho.

O termo minimalismo no design é algo que merece uma atenção especial. Utilizado normalmente para referir-se a objetos ou projetos gráficos com aparência limpa, número reduzido de elementos formais, o que acaba por gerar certa confusão com o funcionalismo, chegando ao ponto de classificar os projetos de Ulm, por exemplo, como minimalistas. No entanto, há uma série de equívocos nesses pontos de vista, e que o presente post se propõe a esclarecer.

O nome minimalismo aparece primeiramente para designar um estilo artístico nascido em meados da década de 50, tendo como representantes Donald Judd, Sol LeWitt (ao lado), Dan Flavin e Carl Andre. Se propunham a apresentar ao observador, através de uma modulação espacial, interferências lumonisas ou cromáticas, volumes geométricos de diversas escalas, etc.; uma nova maneira de perceber o espaço que o circunda, quer seja o espaço da galeria, quer seja o espaço urbano. No Brasil, o movimento Neo-Concreto aproxima-se bastante do intuito artístico Minimalista, embora ambos apresentem resultados bastante diversos. No entanto, ambos batem na mesma tecla de revolução artística, produzindo contra uma herança concretista cartesiana européia em prol da fenomenologia perceptiva individual e sígnica.

A importância desse movimento pode ser observada nos diversos desdobramentos que o serguiram: desde a música até a arquitetura, passando pelo teatro e literatura, todos tiveram alguma vertente minimalista relacionada a esse encabeçado por Judd nos Estados Unidos.

No design também: o mobiliário assinado por Judd viria a influenciar de forma decisiva a um grande número de designers que nos anos 80 se contrapunham à tagarelice formal dos grupos memphis e alchemia. Como uma reação contra os movimentos pós-modernos subjetivistas, diversos designers adotaram a linguagem formal da minimal art para seus projetos. O resultado no entanto é interessante, e merece ser contra-posto ao seu pseudo-irmão gêmio, o funcionalismo.

Enquanto a máxima funcionalista é “forma segue a função”, ao minimalismo poderia ser atribuida a frase “a função segue a forma”. Isso pois a constituição formal dos projetos minimalistas são todos imbuidos de uma acentuação geométrica ou das qualidades aparentes do material para a forte caracterização do objeto, chegando a depreciar o aspecto ergonômico ou cognitivo do produto, apenas em prol de sua forma. Esse é o principal ponto que acaba por colocar o minimalismo diametralmente oposto ao funcionalismo.

Outro é quanto ao público. Enquanto o funcionalismo primava pelo desenho para todos os homens (vide produtos da Braun), o minimalismo opta por produzir para um determinado segmento social: o yuppies. Yuppies são os novos ricos americanos, ascendentes de uma camada social inferior. O objeto minimalista é consumido em especial por esse público, pois trata-se de um tipo formalista, que através de seus gostos e posses intenta demonstrar seu poderio econômico, e opta pelo despojamento minimalista para exprimir suas posses financeiras.

Alguns nomes do minimalismo são Shiro Kuramata (poltrona acima), John Pawson (vasilha ao lado), o próprio Donald Judd, o grupo Zeus, Phillippe Starck, entre outros.

Para mais, segue link para PDF sobre o movimento artístico e sua influencia no design.

[eduardo camillo]

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