[estudio-cinco/blog]

July 7, 2009

Design Atitudinal

Filed under: design, design de produto — Tags: , , — admin @ 11:54 am

No livro Design, Ergonomia, Emoção há um artigo bastante interessante da professora Lucy Niemeyer, que nos chama a atenção para o que chama de Design Atitudinal. Nele, a autora apresenta diversos argumentos sobre uma abordagem contemporânea no design que levaria em conta, além de apenas a ergonomia e usabilidade do objeto, também um ponto basilar na vida do homem que é a emoção. Não será descrito literalmente os argumentos da professora sobre o tema, mas usarei a temática introduzida por ela para colocar alguns pontos relevantes sobre.

O uso da emoção num projeto de design é tarefa realmente difícil, pois por se tratar de algo extremamente subjetivo, que pode ser suscitado de maneiras completamente diferente nas mais diversas pessoas, pelos mais diversos sígnos; e colocá-lo como um requisito de projeto certamente alcançavel poderia ser classificado como “impossível”. Mesmo que se realizem testes com usuários, analisar a “emoção” causada por um produto é totalmente diferente de analisar o modo como o usuário reage fisicamente com o objeto, se consegue pegar direito, se não há desconforto, etc.

Mesmo assim, podemos intuir resultados. Projetar lançando mão de um universo sígnico que corresponde ao do público do produto se mostra mais do que fundamental para alcançar qualquer resultado nesse campo. E não só isso, mas ir mais fundo na essência do que esses signos poderiam remeter dentro do universo dessas pessoas, a tal ponto de a sensação emocional ser algo constante, não pontual, e é aqui que penso estar a sutileza que o designer deve prestar atenção.

Uma coisa é o produto atrair a atenção do usuário por um motivo emocional, e essa explosão momentânea converte-se em desejo de posse, e a seguir em compra, mas que esse detalhe ao longo do tempo mostre-se como meramente decorativo, ou até mesmo um estorvo. Diferente disso é que a referência encontrada no objeto remeta constantemente o usuário a esse momento emocional inicial, e quem sabe até pré-conhecedor do produto. Que o movimento emocional seja uma constante no uso do produto, e não uma das ferramentas de venda deste.

Exemplos nesse tipo de projeto são difíceis de serem encontrados, por isso remeterei diretamente à série de produtos projetados pelo próprio Estudio-Cinco, que é a série Objetos Afetivos. No projeto, partiu-se do desejo de gerar objetos focados no campo da comunicação, mais especificamente entre pessoas que possuem algum tipo de laço afetivo entre si. Os objetos pensados deveriam então necessariamente primar por esse uso contante da emoção, que não poderia ser apenas um momento impulsivo na compra, mas algo que ataria melhor os laços já existente entre os usuários.

A Relousa, por exemplo, torna-se um constante momento de criatividade, e caso não seja necessário, pode ser simplesmente usada para deixar um rápido lembrete. O trunfo do produto é que abre para o usuário agir da maneira que achar mais conveniente para seu momento.

Não há forte intervenção por parte do produto, mas, mesmo assim, esse traz fortes pontos referenciais que acabam remetendo o usuário a universos anteriores. Lança mão de um ícone que seria a lousa de escola, o que por sí já traz uma carga emocional que varia conforme a pessoa teve sua infância. Por ser um ícone, o modo de interagir com ele acaba igualando-se ao referente do signo, que seria a já comentada lousa escolar. Desenhos com o giz, recados, corações, etc. tornam-se naturais, pois era o que se faziam nas losas por parte dos alunos. E são modos de deixar o recado que não se fariam da mesma maneira caso pensemos num bloco de recados, ou numa agenda comum.

Esse é um dos motivos pelo qual Lucy aponta a semiótica como uma das chaves para alcançar o Design Atitudinal, e realmente se mostra fundamental um médio conhecimento do campo, mesmo que intuituvamente, para se tentar chegar a uma visão da necessidade desse tipo de carga emocional nos produtos individuais. Um assunto para outra reflexão seria, no entanto, se essa carga emocional mereceria ser vista e tratada no campo do design para ambientes e objetos de uso público, como um vagão de trêm, ou um lixo público no meio de uma praça. Deixaremos esse ponto para um post posterior.

[eduardo camillo]

March 16, 2009

Design Autoral

O ser humano é expressivo por natureza. faz parte dele exprimir-se de alguma maneira, e isso é a base de qualquer teoria da comunicação, sociologia, arquitetônica, artística, etc. Em especial, na arquitetura e no design isso se mostra de maneiras bastante interessantes quando falamos do “projeto autoral”.

A arquitetura ou design “autorais” ´se caracterizam por objetos/edificações carregadas de conteúdo semântico diretamente relacionado ao designer/arquiteto/artista que eregiu tal projeto. Normalmente a pedido de alguma grande corporação ou indústria. Junto desse pedido, certo grau de liberdade projetual, e também uma implícita quantidade de importância pelo conjunto da obra do designer/arquiteto/artista, que valha a pena ser mostrado e fabricado pelo seu conteúdo intelectual e/ou capacidade comunicativa além do normal.

No entanto, há dois ponstos que merecem cuidado nesse assunto, para uma melhor avaliação da qualidade desses objetos/edifícios autorais: um é a exacerbação da personalidade dessa celebridade por sobre os demais, bem como o real conteúdo intelectual/emotivo presentes dignos de ênfase.

O primeiro caracteriza-se pelo desrespeito para com o conforto, usabilidade e individualidade do usuário (porque um projeto autoral necessariamente demanda usuários, do contrario, se apenas de observadores, é um objeto de arte). Nesse caso um desejo individual sobrepõe-se ao direito alheio de forma ditatorial.

O segundo caracteriza-se pela ausência de conteúdo significativo ou verdadeiro no discurso do designer/arquiteto/artista, que acaba muitas vezes causando mais mal que bem ao subjetivo do usuário, já que lhe é colocado como referência a ser seguida. Nesse estão talvez os mais problemáticos projetos, já que a perpetuação de seu projeto é infinita, e alcança um número extremamente grande de pessoas.

[eduardo camillo]

February 18, 2009

Design Minimalista

Esse post se baseia no trabalho Minimalismo e Design Minimalista. Aqui link para PDF do trabalho.

O termo minimalismo no design é algo que merece uma atenção especial. Utilizado normalmente para referir-se a objetos ou projetos gráficos com aparência limpa, número reduzido de elementos formais, o que acaba por gerar certa confusão com o funcionalismo, chegando ao ponto de classificar os projetos de Ulm, por exemplo, como minimalistas. No entanto, há uma série de equívocos nesses pontos de vista, e que o presente post se propõe a esclarecer.

O nome minimalismo aparece primeiramente para designar um estilo artístico nascido em meados da década de 50, tendo como representantes Donald Judd, Sol LeWitt (ao lado), Dan Flavin e Carl Andre. Se propunham a apresentar ao observador, através de uma modulação espacial, interferências lumonisas ou cromáticas, volumes geométricos de diversas escalas, etc.; uma nova maneira de perceber o espaço que o circunda, quer seja o espaço da galeria, quer seja o espaço urbano. No Brasil, o movimento Neo-Concreto aproxima-se bastante do intuito artístico Minimalista, embora ambos apresentem resultados bastante diversos. No entanto, ambos batem na mesma tecla de revolução artística, produzindo contra uma herança concretista cartesiana européia em prol da fenomenologia perceptiva individual e sígnica.

A importância desse movimento pode ser observada nos diversos desdobramentos que o serguiram: desde a música até a arquitetura, passando pelo teatro e literatura, todos tiveram alguma vertente minimalista relacionada a esse encabeçado por Judd nos Estados Unidos.

No design também: o mobiliário assinado por Judd viria a influenciar de forma decisiva a um grande número de designers que nos anos 80 se contrapunham à tagarelice formal dos grupos memphis e alchemia. Como uma reação contra os movimentos pós-modernos subjetivistas, diversos designers adotaram a linguagem formal da minimal art para seus projetos. O resultado no entanto é interessante, e merece ser contra-posto ao seu pseudo-irmão gêmio, o funcionalismo.

Enquanto a máxima funcionalista é “forma segue a função”, ao minimalismo poderia ser atribuida a frase “a função segue a forma”. Isso pois a constituição formal dos projetos minimalistas são todos imbuidos de uma acentuação geométrica ou das qualidades aparentes do material para a forte caracterização do objeto, chegando a depreciar o aspecto ergonômico ou cognitivo do produto, apenas em prol de sua forma. Esse é o principal ponto que acaba por colocar o minimalismo diametralmente oposto ao funcionalismo.

Outro é quanto ao público. Enquanto o funcionalismo primava pelo desenho para todos os homens (vide produtos da Braun), o minimalismo opta por produzir para um determinado segmento social: o yuppies. Yuppies são os novos ricos americanos, ascendentes de uma camada social inferior. O objeto minimalista é consumido em especial por esse público, pois trata-se de um tipo formalista, que através de seus gostos e posses intenta demonstrar seu poderio econômico, e opta pelo despojamento minimalista para exprimir suas posses financeiras.

Alguns nomes do minimalismo são Shiro Kuramata (poltrona acima), John Pawson (vasilha ao lado), o próprio Donald Judd, o grupo Zeus, Phillippe Starck, entre outros.

Para mais, segue link para PDF sobre o movimento artístico e sua influencia no design.

[eduardo camillo]

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