[estudio-cinco/blog]

March 16, 2009

Design Autoral

O ser humano é expressivo por natureza. faz parte dele exprimir-se de alguma maneira, e isso é a base de qualquer teoria da comunicação, sociologia, arquitetônica, artística, etc. Em especial, na arquitetura e no design isso se mostra de maneiras bastante interessantes quando falamos do “projeto autoral”.

A arquitetura ou design “autorais” ´se caracterizam por objetos/edificações carregadas de conteúdo semântico diretamente relacionado ao designer/arquiteto/artista que eregiu tal projeto. Normalmente a pedido de alguma grande corporação ou indústria. Junto desse pedido, certo grau de liberdade projetual, e também uma implícita quantidade de importância pelo conjunto da obra do designer/arquiteto/artista, que valha a pena ser mostrado e fabricado pelo seu conteúdo intelectual e/ou capacidade comunicativa além do normal.

No entanto, há dois ponstos que merecem cuidado nesse assunto, para uma melhor avaliação da qualidade desses objetos/edifícios autorais: um é a exacerbação da personalidade dessa celebridade por sobre os demais, bem como o real conteúdo intelectual/emotivo presentes dignos de ênfase.

O primeiro caracteriza-se pelo desrespeito para com o conforto, usabilidade e individualidade do usuário (porque um projeto autoral necessariamente demanda usuários, do contrario, se apenas de observadores, é um objeto de arte). Nesse caso um desejo individual sobrepõe-se ao direito alheio de forma ditatorial.

O segundo caracteriza-se pela ausência de conteúdo significativo ou verdadeiro no discurso do designer/arquiteto/artista, que acaba muitas vezes causando mais mal que bem ao subjetivo do usuário, já que lhe é colocado como referência a ser seguida. Nesse estão talvez os mais problemáticos projetos, já que a perpetuação de seu projeto é infinita, e alcança um número extremamente grande de pessoas.

[eduardo camillo]

October 3, 2008

Identidade Visual - A banda e a corporação

Filed under: design gráfico, identidade corporativa, música — Tags: , , — admin @ 4:50 pm

Em uma sociedade pós-industrial pode-se entender uma banda musical como um micro-universo. Assim como uma corporação um grupo musical pode possuir uma identidade visual. Certamente o primeiro cartaz que anunciou um concerto possuía um vínculo com o conteúdo musical que seria executado, essas características podem ser observadas nas aberturas das peças orquestradas que, através ou de uma determinada tipografia ou de uma ilustração apresentavam o primeiro contato subjetivo com as músicas.

 A partir do momento em que começou-se a produção de discos as embalagens que os suportavam passaram cada vez mais atribuir vínculos com a música: imagens, tipografia, ilustração; tudo em função das idéias contidas nas melodias. Essas idéias não se restringem às letras, elas englobam também características subjetivas, específicas do sentido auditivo. Citando Mcluhan “não possuímos pálpebras auditivas”, em outras palavras a audição não pressupõe ordenação para a apreensão, trata-se portanto de um sentido menos dependente interpretação racional.  Na década de 1960 a indústria fonográfica expandiu e os encartes de LP`s ficaram a cargo grandes estúdios de design como o Push Pin Studio. As características específicas da música contribuíram para que esses estúdios expressassem mensagens desligadas da tradição funcionalista, um exemplo marcante é  a capa de Milton Glaser para o álbum de Bob Dylan, feita a partir de uma releitura de um auto-retrato de Duchamp. A imagem deste álbum é um ícone da contracultura em ascensão, e de certa forma sintetiza as transformações sociais de uma geração.  

Seguindo essa lógica a concepção gráfica de um álbum se aproxima cada vez mais com as propostas das identidades corporativas. Não no sentido de traduzir um conceito objetivo, como uma missão; mas entendendo que o conjunto de encarte+CD cada vez mais têm moldadado e tornado vivo o senso de afinidade entre o autor e o consumidor que, em conjunto com a música, traduz um conceito que envolve o álbum. O encarte do disco “The Fragile” da banda Nine Inch Nails é um exemplo desta tendência. O logo da banda foi desenhado por um dos membros do NIN, Trent Reznor, em conjunto com o diretor de arte Gary Talpes. Trata-se de uma releitura da tipologia do disco dos Talking Heads “Remain the Ligths” esta desenhada pelo ex-editor da Colors, Tibor Kalman. Nela o N, de Nine, se reflete com N, de Nails; formando uma marca tipográfica pregnante e sintética. Nesta concepção para o disco fragile, elaborada por David Carson, unclui na montagem um logo transgredido sob um preceito tipográfico funcionalista: A leitura de um texto ocorre se a parte superior desta estiver visível. Ao contrário da maioria dos projetos de Carson esta peça contém apenas duas imagens.  O que faz destacar esta composição é a sobreposição em si, e não o conjunto de um aglomerado de imagens. Ainda assim o mérito de Carson está na transgressão (sobreposição sob o logo) e não na criação (desenho do logo). O trabalho de Carson, como em todos os seus outros, é de ilustração, não de design. Assim, Trent Reznor, vocalista do NIN, é muito mais designer do que David Carson.   

[thomas]

September 18, 2008

David Carson e o Dada

Filed under: design, design gráfico, tipografia — Tags: , , , , — admin @ 10:12 am

David Carson tornou-se um ícone do design. Conseguiu através da revista Raygun chamar a atenção para si, de forma a ser considerado hoje o pai da linguagem visual dita pós-moderna. Controversas à parte sobre o tema da pós-modernidade, Carson por via de seu trabalho conseguiu influenciar fortemente a geração presente, pós-anos 90.

Não formado em design, Carson era sociólogo e surfista quando num contato de duas semanas com o design gráfico resolveu aderir a ele. No seu repertório está um uso variado e criativo da tipografia, muitas vezes com tipos fantasia, além de recursos gráficos classificados como “sujos”, “rebeldes”, “transgressores”, etc. Talvez um dia o fossem, hoje não mais. Um fato é a ausência de preocupações além das formais. A comunicação se faz, como sempre acontece, já que sempre algo é comunicado (embora não necessariamente o que se deseja).

Essa linguagem de Carson, no entanto, remete a um universo do design moderno pós-I Guerra, que é o design gráfico ligado ao Dadaismo, mais especificamente com Merz. Artista plástico, é considerado um dos pais da Instalação com sua Merzbaus, fez parte do grupo Dadaísta e se destacou dentre seus membros. Foi responsável por diversos impressos do grupo, todos com uma linguagem sempre próxima à proposta de questionamento do grupo. Influenciados pelo uso tipográfico livre de alguns artistas gráficos construtivistas Russos, inovaram ao utiliar mais de uma face tipográfica para as obras, de forma a criar uma textura visual interessante e coesa com a proposta intelectual do grupo, que era a desesperança na promessa salvadora da tecnologia, racionalismo e idealismos que se propunham nos tempos precedentes, e que cairam por terra com a primeira grande guerra. São dessa forma considerados uma vanguarda Negativas, opondo-se às chamadas Positivas, que englobavam as linhas racionais que a arte, design e arquitetura estavam tomando com a revolução russa, o cubismo (que trouxe como contribuição a eles a técnica de colagem) e o concretismo em geral. O cartaz ao lado foi para uma reunião Dada que aconteceria, e foi feito em litografia por Merz e, interessante, por Doesburg, um dos pais do Neoplasticismo bem como da arte e design concretos.

Nas decadas de 50 e 60 foi um estilo que permaneceu estagnado, pois quem dominava era o funcionalismo, quer americano que alemão, mas acabou retomado na década de 70, quando a arte conceitual começava a tomar parte no cenário artístico, assim como um boom de grupos ideológicos que no design estavam reagindo ao funcionalismo como unica saída de projeto.

Carson, na década de 90, quando estoura, acaba possuindo um trabalho que remete diretamete a essa pleide de projetos gráficos, e não se pode afirmar que seja por acaso. Ele enquanto Sociólogo certamente teve contato com essa filosofia niilista Dada e todo momento relativista que estava começando a nascer nas décadas de 70/80, o que acabou influenciando-o na sua abordagem gráfica. Em entrevista afirmou certa vez sobre seu trabalho: “I never learned all the rules, all the things you’re not supposed to do (…). So I don’t believe the attitude, ‘learn the rules to know how to break them.’ “. Claramente, há uma atitude de desdém para com o que se vinha fazendo anteriormente, e soa certo oportunismo sua participação e sucesso no design gráfico. Suas soluções gráficas são via tentativa-erro, e, numa concepção de design enquanto projeto, acabam deixando a desejar, assemelhando-se mais a um trabalho ilustrativo autoral que a um projeto efetivamente de design.  Além disso, essa linha de trabalho que desenvolve, além de soar repetitiva dentro de si mesma, é gratuita. Enquanto no design Dadaísta havia o porquê de sua solução gráfica, Carson desconhecia qualquer motivo gráfico efetivo para poder questioná-lo. Essa sua frase de que “I don’t believe the attitude, ‘learn the rules to know how to break them.’ ” mostra-se simplesmente simplória e desconcertantemente vaidosa para alguém que visaria comunicar informação pela via gráfica. Há designers que por conhecerem essas ditas regras, e conhecê-las de maneira aprofundada, conseguiram desenvolver um trabalho muito mais coeso e conceituado que o simples grafismo formalista que Carson faz. Um deles pode ser o designer brasileiro Vicente Gil, que também com uma abordagem voltada à tipografia, conseguiu de modo muito eficiente utilizar princípios ditos modernistas em uma linguagem clara e pós-moderna. Mesmo Saul Bass inovou nessa maneira de projeto. Enfim, o trabalho de Carson, embora visualmente interessante enquanto experimentação gráfica, deixa a desejar no seu conteúdo e motivo formal, característicos da pseudo-pós-modernidade.

[eduardo camillo]

September 16, 2008

6 posts sobre logos

Mais uma pequena lista, dessa vez com 6 posts muito interessantes sobre logotipos e identidades corporativas…

Logo Design Love: When logos look alike
Quando a originalidade e a criatividade não são o forte do designer. Claro que pode acontecer com qualquer um, mas as coincidências são muito grandes.

 

Logo design Love: 10 Successful logo redesign
Também do blog anterior, casos de sucesso de redesenhos de logotipos. Alguns nem tão bons assim, convenhamos…

 

Logo Louge: 2008 Trends
Tendências na identidade visual. Uma boa coletânea de estilos que estão correndo por aí. Serve para uma referência do que está sendo feito, assim como o próprio site. Ótimo conteúdo.

 

Button CRS: bank logos
Apenas logotipos de bancos. Ainda sim, a variedade é interessante.

 

 

You the Design: Seven Splendid Logo Designs
Sete logos de sucesso. Também um tanto quanto duvidosos alguns. Mas serve para conhecer mais uma tendência de logos, que são os chamados “web 2.0″, que são aqueles cheios de gloss… Que por acaso nada tem a ver com a web 2.0

 

Logos na web 2.0
Falando em web 2.0, uma boa tirada com o que seriam esses “glosses” de que falei anteriormente… Deplorável!

 

[eduardo camillo]

September 13, 2008

Design NeoConcreto

Filed under: design, design gráfico — Tags: — admin @ 12:08 am

Um dos mais conhecidos e característicos estilos no design gráfico é a estética Concreta. Também conhecido como Design Suiço, foi muito presente durante as décadas de 50 e 70, profundamente ligados com o Funcionalismo Alemão de Ulm, de Max Bill. O estilo propunha uma completa separação entre design e arte, como se começou a pensar na Bauhaus. 

Com um grid extremamente rígido e fontes sem serifa, cores contrastantes, clareza comunicacional, uma leitura tanto à distância quanto próxima, se distingue facilmente de estilos mais ecléticos do mundo dos impressos. E é justamente isso que impressiona de certo modo, haja visto que tão poucos elementos compositivos, quase ausência completa de ornamentos, apenas conteúdo e formas geométricas conseguem mostrar-se tanto sobre outros trabalhos.

São muitos os designers conhecidos desse estilo, como: Otl Aicher, Max Bill and Josef Muller-Brochmann, entre outros.

Mesmo que muito característico de seu período, o estilo permanece ainda muito presente. Hoje ainda se encontra uma vasta produção no design concreto, mas com certa mudança. E é sobre isso o título do post, uma nova tendência concreta.

O Neoconcretismo se inspira fortemente no movimento original, na dureza formal, forte tipografia e cores, que são normalmente puras e sem degradês, mas há algumas características que a diferem do original. Uma se refere ao uso da tipografia: embora bastante contrastantes e fixas no grid, há grande liberdade compositiva quanto ao tipo e suas coress. No exemplo ao abaixo, além da informação sobreposta a outra (o que seria impensável no universo concretotradicional), as barras no texto possuem outra função que não apenas textual, o que auxilia na legibilidade primeira e à distância, para depois uma segunda olhada: primeiro o texto em preto, depois em bege.

Em outros trabalhos encontramos diferentes tipos que não são usuais no concretismo (como a Helvética), e muitas vezes os recursos gráficos são menos lineares, mas também não batem com o concretismo em si. 

Em outro exemplo, encontramos o clássico contraste branco/cinza, mas a tipografia é serifada. A composiçao é bem desenhada, jogando com regulares e itálicos, assim como uma leve alteração de tonalidades entre palavras e números.

Talvez o nome não pegue, mas o NeoConcreto é uma nova tendência, inegavelmente, e o mais interessante é que trata-se de uma nova leitura do funcionalismo tradicional, mas sem cair num styling vazio. 

[eduardo camillo]

September 9, 2008

5 Blogs sobre Tipografia

Filed under: design, design gráfico, tipografia — Tags: , , — admin @ 4:18 pm

Uma pequena lista com 5 bons blogs de tipografia:

I Love Typography: blog em inglês, atualizado semanalmente, com imagens de tipos, aplicações, inspirações, novidades, downloads, etc.

The Font Feed: também em inglês, é o blog sobre tipografia do site fontshop. Apresenta as novidades do site, últimas fontes disponíveis, eventos, etc.

OpenType: contém diversos assuntos relacionados a tipografia. Num dos últimos posts, piadas tipograficas.

Exljbris: blog sobre desenvolvimento tipográfico, free fonts…

Swiss Legacy: blog sobre design gráfico e tipografia, no melhor do estilo suiço, com novidades e constantemente atualizado.

[eduardo camillo]

August 29, 2008

design e arte contemporânea

Filed under: arte contemporânea, design gráfico — Tags: , — admin @ 1:36 pm

O design como o conhecemos hoje se origina a partir do movimento moderno, em especial na Bauhaus, escola alemã de arte, arquitetura e design. Nesse momento, o aspecto social era algo realmente importante para o conjunto todo. As diretrizes que se seguiam no movimento construtivista em geral era de cunho socialista (com exceção do neoplasticismo), e isso se mostrava tanto no design quanto na arquitetura. Toda conceituação a partir disso levava a produtos com um carater bastante forte, e justificados. Não havia gratuidade formal nos projetos. O ideal artístico movia o ideal projetual.

Mesmo no movimento dadaísta, objetos projetados eram paralelos às obras no seu negativismo, como o telefone-lagosta de Dali. A ironia era o conceito por detrás do geral. O que se observa, portanto, é que o projeto em geral, o bom projeto, necessariamente possuia certa dose de ideal por detrás dele, bem como um fundo teórico bastante forte, como a gestalt, o início da semiótica, teorias da cor, psicologia, etc., sempre como embasamento para o desenho do produto ou gráfico.

A partir de Duchamp no entanto, a arte deixou seu aspecto positivista para entrar num certo grau de introspecção que a distanciou levemente do conjunto das belas artes. O pensar a arte tornou-se um paradigma que aconteceria durante toda a arte conceitual da década de 70 até hoje. O desenvolvimento teórico e intelectal presente no campo artístico contemporâneo é extremamente forte, com idéias bastante profundas, relações entre disciplinas, entre autores, de forma a formar um solo bastante fértil em torno do ato artístico. Dessa forma, a influência entre arte e design tornou-se menos direta como naturalmente aconteceu no princípio. O design começou sua própria introspecção, como movimentos anti-funcionalismo Ulmiano, debochando de seu desejo de universalização da forma, bem como da apropriação do styling da forma funcionalista para um fim elitista capitalista.

No entanto, enquanto na arte o aspecto intelectual tornou-se fundamental para um bom trabalho (a arte retiniana pré-duchampiana não é mais tolerável), no design cada vez mais acontece um certo formalismo gratuito de qualidades gráficas puramente estéticas, sem justificativa aparente, tanto no design gráfico quanto no design de produto. Nem mesmo se pode dizer que a indústria é o foco do desenho, uma vez que muitas vezes são necessários malabarismos técnicos para a execução de uma simples peça, ou mesmo se abre mão de um detalhado e bom projeto por causa do público a que se destina. Aparentemente, a partir dessas empreitadas formais contra o funcionalismo alemão, sua aparência final também acabou sendo apropriada pelo sistema de maneira a tornar-se algo de certos nichos apenas pelas suas características simbólicas. Materiais simulando outros mateirais sem corresponder necessariamente a sua função. Formas mal projetadas que pelo barateamento de produção terminam por depreciar a utilização do objeto. Enfim, são muitos os exemplos de erros de projeto que partem de uma ausência conceitual advinda desse styling às avessas.

Está muito em voga em especial no design gráfico um estilo punk sujo, ou um surf vetorial, ou mesmo um cromatismo tropical onde não há sentido ou base suficiente para se tornatem justificáveis. Tornaram-se um modismo que se repete incessantemente em diversos trabalhos.

Não se trata de criar uma forma de trabalho universal como pretendiam os designers concretos suiços, ou de sempre procurar uma subversão da tendência para que haja uma diferenciação, mas de tratar do projeto como algo com um fim comunicacional identificado com a referência, desatrelando-se do marketing ou styling para a simples venda e lucratividade. Ambos são concequências do bom projeto, não pré-requisito deste, e é justamente o elemento que falta para uma boa execução do design contemporâneo: o conceito por detrás da forma.

[eduardo camillo]

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