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August 29, 2008

design e arte contemporânea

Filed under: arte contemporânea, design gráfico — Tags: , — admin @ 1:36 pm

O design como o conhecemos hoje se origina a partir do movimento moderno, em especial na Bauhaus, escola alemã de arte, arquitetura e design. Nesse momento, o aspecto social era algo realmente importante para o conjunto todo. As diretrizes que se seguiam no movimento construtivista em geral era de cunho socialista (com exceção do neoplasticismo), e isso se mostrava tanto no design quanto na arquitetura. Toda conceituação a partir disso levava a produtos com um carater bastante forte, e justificados. Não havia gratuidade formal nos projetos. O ideal artístico movia o ideal projetual.

Mesmo no movimento dadaísta, objetos projetados eram paralelos às obras no seu negativismo, como o telefone-lagosta de Dali. A ironia era o conceito por detrás do geral. O que se observa, portanto, é que o projeto em geral, o bom projeto, necessariamente possuia certa dose de ideal por detrás dele, bem como um fundo teórico bastante forte, como a gestalt, o início da semiótica, teorias da cor, psicologia, etc., sempre como embasamento para o desenho do produto ou gráfico.

A partir de Duchamp no entanto, a arte deixou seu aspecto positivista para entrar num certo grau de introspecção que a distanciou levemente do conjunto das belas artes. O pensar a arte tornou-se um paradigma que aconteceria durante toda a arte conceitual da década de 70 até hoje. O desenvolvimento teórico e intelectal presente no campo artístico contemporâneo é extremamente forte, com idéias bastante profundas, relações entre disciplinas, entre autores, de forma a formar um solo bastante fértil em torno do ato artístico. Dessa forma, a influência entre arte e design tornou-se menos direta como naturalmente aconteceu no princípio. O design começou sua própria introspecção, como movimentos anti-funcionalismo Ulmiano, debochando de seu desejo de universalização da forma, bem como da apropriação do styling da forma funcionalista para um fim elitista capitalista.

No entanto, enquanto na arte o aspecto intelectual tornou-se fundamental para um bom trabalho (a arte retiniana pré-duchampiana não é mais tolerável), no design cada vez mais acontece um certo formalismo gratuito de qualidades gráficas puramente estéticas, sem justificativa aparente, tanto no design gráfico quanto no design de produto. Nem mesmo se pode dizer que a indústria é o foco do desenho, uma vez que muitas vezes são necessários malabarismos técnicos para a execução de uma simples peça, ou mesmo se abre mão de um detalhado e bom projeto por causa do público a que se destina. Aparentemente, a partir dessas empreitadas formais contra o funcionalismo alemão, sua aparência final também acabou sendo apropriada pelo sistema de maneira a tornar-se algo de certos nichos apenas pelas suas características simbólicas. Materiais simulando outros mateirais sem corresponder necessariamente a sua função. Formas mal projetadas que pelo barateamento de produção terminam por depreciar a utilização do objeto. Enfim, são muitos os exemplos de erros de projeto que partem de uma ausência conceitual advinda desse styling às avessas.

Está muito em voga em especial no design gráfico um estilo punk sujo, ou um surf vetorial, ou mesmo um cromatismo tropical onde não há sentido ou base suficiente para se tornatem justificáveis. Tornaram-se um modismo que se repete incessantemente em diversos trabalhos.

Não se trata de criar uma forma de trabalho universal como pretendiam os designers concretos suiços, ou de sempre procurar uma subversão da tendência para que haja uma diferenciação, mas de tratar do projeto como algo com um fim comunicacional identificado com a referência, desatrelando-se do marketing ou styling para a simples venda e lucratividade. Ambos são concequências do bom projeto, não pré-requisito deste, e é justamente o elemento que falta para uma boa execução do design contemporâneo: o conceito por detrás da forma.

[eduardo camillo]

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