[estudio-cinco/blog]

October 3, 2008

Identidade Visual - A banda e a corporação

Filed under: design gráfico, identidade corporativa, música — Tags: , , — admin @ 4:50 pm

Em uma sociedade pós-industrial pode-se entender uma banda musical como um micro-universo. Assim como uma corporação um grupo musical pode possuir uma identidade visual. Certamente o primeiro cartaz que anunciou um concerto possuía um vínculo com o conteúdo musical que seria executado, essas características podem ser observadas nas aberturas das peças orquestradas que, através ou de uma determinada tipografia ou de uma ilustração apresentavam o primeiro contato subjetivo com as músicas.

 A partir do momento em que começou-se a produção de discos as embalagens que os suportavam passaram cada vez mais atribuir vínculos com a música: imagens, tipografia, ilustração; tudo em função das idéias contidas nas melodias. Essas idéias não se restringem às letras, elas englobam também características subjetivas, específicas do sentido auditivo. Citando Mcluhan “não possuímos pálpebras auditivas”, em outras palavras a audição não pressupõe ordenação para a apreensão, trata-se portanto de um sentido menos dependente interpretação racional.  Na década de 1960 a indústria fonográfica expandiu e os encartes de LP`s ficaram a cargo grandes estúdios de design como o Push Pin Studio. As características específicas da música contribuíram para que esses estúdios expressassem mensagens desligadas da tradição funcionalista, um exemplo marcante é  a capa de Milton Glaser para o álbum de Bob Dylan, feita a partir de uma releitura de um auto-retrato de Duchamp. A imagem deste álbum é um ícone da contracultura em ascensão, e de certa forma sintetiza as transformações sociais de uma geração.  

Seguindo essa lógica a concepção gráfica de um álbum se aproxima cada vez mais com as propostas das identidades corporativas. Não no sentido de traduzir um conceito objetivo, como uma missão; mas entendendo que o conjunto de encarte+CD cada vez mais têm moldadado e tornado vivo o senso de afinidade entre o autor e o consumidor que, em conjunto com a música, traduz um conceito que envolve o álbum. O encarte do disco “The Fragile” da banda Nine Inch Nails é um exemplo desta tendência. O logo da banda foi desenhado por um dos membros do NIN, Trent Reznor, em conjunto com o diretor de arte Gary Talpes. Trata-se de uma releitura da tipologia do disco dos Talking Heads “Remain the Ligths” esta desenhada pelo ex-editor da Colors, Tibor Kalman. Nela o N, de Nine, se reflete com N, de Nails; formando uma marca tipográfica pregnante e sintética. Nesta concepção para o disco fragile, elaborada por David Carson, unclui na montagem um logo transgredido sob um preceito tipográfico funcionalista: A leitura de um texto ocorre se a parte superior desta estiver visível. Ao contrário da maioria dos projetos de Carson esta peça contém apenas duas imagens.  O que faz destacar esta composição é a sobreposição em si, e não o conjunto de um aglomerado de imagens. Ainda assim o mérito de Carson está na transgressão (sobreposição sob o logo) e não na criação (desenho do logo). O trabalho de Carson, como em todos os seus outros, é de ilustração, não de design. Assim, Trent Reznor, vocalista do NIN, é muito mais designer do que David Carson.   

[thomas]

September 18, 2008

David Carson e o Dada

Filed under: design, design gráfico, tipografia — Tags: , , , , — admin @ 10:12 am

David Carson tornou-se um ícone do design. Conseguiu através da revista Raygun chamar a atenção para si, de forma a ser considerado hoje o pai da linguagem visual dita pós-moderna. Controversas à parte sobre o tema da pós-modernidade, Carson por via de seu trabalho conseguiu influenciar fortemente a geração presente, pós-anos 90.

Não formado em design, Carson era sociólogo e surfista quando num contato de duas semanas com o design gráfico resolveu aderir a ele. No seu repertório está um uso variado e criativo da tipografia, muitas vezes com tipos fantasia, além de recursos gráficos classificados como “sujos”, “rebeldes”, “transgressores”, etc. Talvez um dia o fossem, hoje não mais. Um fato é a ausência de preocupações além das formais. A comunicação se faz, como sempre acontece, já que sempre algo é comunicado (embora não necessariamente o que se deseja).

Essa linguagem de Carson, no entanto, remete a um universo do design moderno pós-I Guerra, que é o design gráfico ligado ao Dadaismo, mais especificamente com Merz. Artista plástico, é considerado um dos pais da Instalação com sua Merzbaus, fez parte do grupo Dadaísta e se destacou dentre seus membros. Foi responsável por diversos impressos do grupo, todos com uma linguagem sempre próxima à proposta de questionamento do grupo. Influenciados pelo uso tipográfico livre de alguns artistas gráficos construtivistas Russos, inovaram ao utiliar mais de uma face tipográfica para as obras, de forma a criar uma textura visual interessante e coesa com a proposta intelectual do grupo, que era a desesperança na promessa salvadora da tecnologia, racionalismo e idealismos que se propunham nos tempos precedentes, e que cairam por terra com a primeira grande guerra. São dessa forma considerados uma vanguarda Negativas, opondo-se às chamadas Positivas, que englobavam as linhas racionais que a arte, design e arquitetura estavam tomando com a revolução russa, o cubismo (que trouxe como contribuição a eles a técnica de colagem) e o concretismo em geral. O cartaz ao lado foi para uma reunião Dada que aconteceria, e foi feito em litografia por Merz e, interessante, por Doesburg, um dos pais do Neoplasticismo bem como da arte e design concretos.

Nas decadas de 50 e 60 foi um estilo que permaneceu estagnado, pois quem dominava era o funcionalismo, quer americano que alemão, mas acabou retomado na década de 70, quando a arte conceitual começava a tomar parte no cenário artístico, assim como um boom de grupos ideológicos que no design estavam reagindo ao funcionalismo como unica saída de projeto.

Carson, na década de 90, quando estoura, acaba possuindo um trabalho que remete diretamete a essa pleide de projetos gráficos, e não se pode afirmar que seja por acaso. Ele enquanto Sociólogo certamente teve contato com essa filosofia niilista Dada e todo momento relativista que estava começando a nascer nas décadas de 70/80, o que acabou influenciando-o na sua abordagem gráfica. Em entrevista afirmou certa vez sobre seu trabalho: “I never learned all the rules, all the things you’re not supposed to do (…). So I don’t believe the attitude, ‘learn the rules to know how to break them.’ “. Claramente, há uma atitude de desdém para com o que se vinha fazendo anteriormente, e soa certo oportunismo sua participação e sucesso no design gráfico. Suas soluções gráficas são via tentativa-erro, e, numa concepção de design enquanto projeto, acabam deixando a desejar, assemelhando-se mais a um trabalho ilustrativo autoral que a um projeto efetivamente de design.  Além disso, essa linha de trabalho que desenvolve, além de soar repetitiva dentro de si mesma, é gratuita. Enquanto no design Dadaísta havia o porquê de sua solução gráfica, Carson desconhecia qualquer motivo gráfico efetivo para poder questioná-lo. Essa sua frase de que “I don’t believe the attitude, ‘learn the rules to know how to break them.’ ” mostra-se simplesmente simplória e desconcertantemente vaidosa para alguém que visaria comunicar informação pela via gráfica. Há designers que por conhecerem essas ditas regras, e conhecê-las de maneira aprofundada, conseguiram desenvolver um trabalho muito mais coeso e conceituado que o simples grafismo formalista que Carson faz. Um deles pode ser o designer brasileiro Vicente Gil, que também com uma abordagem voltada à tipografia, conseguiu de modo muito eficiente utilizar princípios ditos modernistas em uma linguagem clara e pós-moderna. Mesmo Saul Bass inovou nessa maneira de projeto. Enfim, o trabalho de Carson, embora visualmente interessante enquanto experimentação gráfica, deixa a desejar no seu conteúdo e motivo formal, característicos da pseudo-pós-modernidade.

[eduardo camillo]

September 16, 2008

6 posts sobre logos

Mais uma pequena lista, dessa vez com 6 posts muito interessantes sobre logotipos e identidades corporativas…

Logo Design Love: When logos look alike
Quando a originalidade e a criatividade não são o forte do designer. Claro que pode acontecer com qualquer um, mas as coincidências são muito grandes.

 

Logo design Love: 10 Successful logo redesign
Também do blog anterior, casos de sucesso de redesenhos de logotipos. Alguns nem tão bons assim, convenhamos…

 

Logo Louge: 2008 Trends
Tendências na identidade visual. Uma boa coletânea de estilos que estão correndo por aí. Serve para uma referência do que está sendo feito, assim como o próprio site. Ótimo conteúdo.

 

Button CRS: bank logos
Apenas logotipos de bancos. Ainda sim, a variedade é interessante.

 

 

You the Design: Seven Splendid Logo Designs
Sete logos de sucesso. Também um tanto quanto duvidosos alguns. Mas serve para conhecer mais uma tendência de logos, que são os chamados “web 2.0″, que são aqueles cheios de gloss… Que por acaso nada tem a ver com a web 2.0

 

Logos na web 2.0
Falando em web 2.0, uma boa tirada com o que seriam esses “glosses” de que falei anteriormente… Deplorável!

 

[eduardo camillo]

September 9, 2008

5 Blogs sobre Tipografia

Filed under: design, design gráfico, tipografia — Tags: , , — admin @ 4:18 pm

Uma pequena lista com 5 bons blogs de tipografia:

I Love Typography: blog em inglês, atualizado semanalmente, com imagens de tipos, aplicações, inspirações, novidades, downloads, etc.

The Font Feed: também em inglês, é o blog sobre tipografia do site fontshop. Apresenta as novidades do site, últimas fontes disponíveis, eventos, etc.

OpenType: contém diversos assuntos relacionados a tipografia. Num dos últimos posts, piadas tipograficas.

Exljbris: blog sobre desenvolvimento tipográfico, free fonts…

Swiss Legacy: blog sobre design gráfico e tipografia, no melhor do estilo suiço, com novidades e constantemente atualizado.

[eduardo camillo]

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